sexta-feira, 21 de abril de 2023

A Lista de Schindler

 


"A Lista de Schindler" é um drama histórico épico dirigido por Steven Spielberg, baseado na história real de Oskar Schindler, um empresário alemão que salvou a vida de mais de mil judeus durante o Holocausto. O filme se passa na Cracóvia ocupada pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, e segue Schindler enquanto ele usa sua fábrica para empregar judeus, salvando-os da perseguição nazista. A história é contada através dos olhos do contador judeu de Schindler, Itzhak Stern, que ajuda Schindler a criar uma lista de judeus que são poupados da deportação para campos de concentração. "A Lista de Schindler" é um retrato poderoso da compaixão humana e da coragem em tempos de crise, e é um dos filmes mais aclamados da história do cinema.

A partir daqui, se você não assistiu ao Filme, fica o alerta para Spoiler!

O primeiro ato de "A Lista de Schindler" se passa na cidade de Cracóvia, na Polônia, em 1939. O empresário alemão Oskar Schindler chega à cidade para aproveitar a oportunidade de lucrar com a guerra e começa a investir em negócios locais, principalmente em uma fábrica de panelas. Nesse início, ele demonstra pouco interesse pelos judeus que são obrigados a trabalhar para ele. No entanto, a situação começa a mudar quando ele conhece o contador judeu Itzhak Stern, que o ajuda a economizar dinheiro e a aumentar seus lucros. A partir desse encontro, Schindler começa a perceber a brutalidade e a injustiça do regime nazista e começa a se preocupar com o destino dos judeus que trabalham em sua fábrica. O primeiro ato é essencial para estabelecer o personagem de Schindler e a ambientação da história, bem como para apresentar os personagens coadjuvantes que serão importantes para o desenvolvimento da trama.

O segundo ato do filme começa quando Oskar Schindler percebe a terrível verdade da situação dos judeus em seus campos de trabalho e decide ajudá-los. Ele começa a contrabandear comida e suprimentos para os trabalhadores judeus e a proteger alguns deles da perseguição nazista. O ato também mostra a crescente tensão entre Schindler e o comandante do campo de concentração, Amon Goeth, que se torna cada vez mais violento e instável em seu poder. Enquanto Schindler se torna mais comprometido em salvar vidas, ele também começa a enfrentar dificuldades financeiras e enfrenta a resistência de outros nazistas que questionam suas ações. O ato culmina com a seleção de trabalhadores judeus para a "Lista de Schindler", que oferece proteção aos escolhidos.

O terceiro e último ato do filme é marcado por um sentimento de esperança e alívio, apesar da tragédia que se desenrola ao redor dos personagens. O campo de concentração onde Schindler e os judeus estão alojados é liberado pelo Exército soviético, e o caos e a violência que se seguem são mostrados de maneira vívida. Os judeus são finalmente libertados, mas sua libertação é acompanhada de cenas emocionantes de separações, reencontros e lutos.

A última cena mostra a entrega de um anel de ouro pelos judeus sobreviventes para Schindler, como uma forma de gratidão pelo que ele fez por eles. Schindler fica emocionado com a cena, mas também triste por não ter feito mais, e começa a se desfazer de seus bens em um momento comovente. A cena final mostra Schindler fugindo dos soldados nazistas e se despedindo de seus empregados judeus, antes de partir para uma nova vida em liberdade. A obra termina com a frase: "Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro."

Crítica

"A Lista de Schindler", é um filme que me deixou agoniado do início ao fim. Esse filme Torce sua alma, e se não torceu a sua é porque talvez você já não tenha uma. Um dos filmes mais marcantes e impactantes da história do cinema. A obra, dirigida por Steven Spielberg, retrata a história real de Oskar Schindler, um empresário alemão que salvou a vida de mais de mil judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Um dos pontos fortes do filme é a sua capacidade de retratar com fidelidade os horrores do Holocausto, sem cair no sensacionalismo ou na banalização do sofrimento humano. A direção de Spielberg é sensível e cuidadosa, dando espaço para que os personagens e as situações sejam apresentados de forma realista e sem artifícios.

Outro ponto forte do filme é o seu elenco. Liam Neeson entrega uma das melhores performances de sua carreira como Oskar Schindler, e Ben Kingsley também brilha como seu contador judeu, Itzhak Stern. Ralph Fiennes, por sua vez, faz um trabalho assustadoramente convincente como o cruel comandante nazista Amon Goeth.

Por outro lado, alguns críticos apontam que o filme pode ser acusado de romantizar a figura de Schindler, mostrando-o como um herói perfeito e esquecendo-se de suas falhas e limitações. Na minha visão Schindler quando começa a ter contato mais direto com os Judeus ele passa a ter empatia e se sensibilizando com as crueldades praticadas pelo nazismo. Schindler foi um herói porém do ponto de vista moral existem alguns questionamentos em relação a essa figura.

Outros críticos questionam se o uso de imagens em preto e branco e a trilha sonora melancólica não seriam recursos emocionais demais, manipulando a audiência. Discordo! Acho que o diretor acertou em utilizar preto e branco nas imagens. Não existe cor nas guerras, não existe cor nos campos de concentração, ou nos campos de extermínio humano. E o preto e branco enfatiza que o filme deve ser visto pela perspectiva de um Judeu que esteve lá sofrendo todas aquelas mazelas. Vou mais além acredito que se o filme fosse mudo teria um impacto emocional maior. As pessoas que sofreram com o regime nazista não tinham voz. Spielberg reproduziu muito bem todas as crueldades praticadas naquele evento que mancha a história da humanidade.

É inegável que a obra tem um importante significado histórico e social, alertando para a importância da memória e da resistência diante de situações extremas de opressão e violência. A mensagem final do filme, em que os sobreviventes homenageiam Schindler e colocam pedras sobre seu túmulo, é um forte apelo para que nunca esqueçamos as vítimas do Holocausto e a importância da empatia e da solidariedade entre os seres humanos.


Curiosidades

1. O diretor Steven Spielberg inicialmente não queria dirigir o filme, mas decidiu assumir a tarefa depois de conversar com o roteirista Steven Zaillian.

2. O ator Liam Neeson foi inicialmente considerado para o papel de Schindler, mas Spielberg decidiu escolher Ralph Fiennes para interpretar Amon Goeth.

3. Durante as filmagens, Spielberg pediu para que a equipe filmasse em preto e branco para dar um aspecto mais realista ao filme.

4. Para a cena em que a garota vestindo um casaco vermelho corre pela cidade, Spielberg queria que a plateia se lembrasse daquele momento em particular, então manteve a cena em cores. Isso também representa a única vez em que a cor é utilizada no filme.

5. O filme foi amplamente aclamado pela crítica e venceu sete prêmios Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado.

6. O Museu Memorial do Holocausto nos Estados Unidos reconheceu a importância do filme e o incorporou em suas exibições permanentes.

7. O verdadeiro Schindlerjuden, a lista de judeus salvos por Oskar Schindler, foi encontrado em uma biblioteca em Sydney, Austrália, pelo pesquisador australiano Dr. Duncan Little em 1989. A lista foi doada ao Museu do Holocausto Yad Vashem em Jerusalém.

8. O filme também inspirou uma série de livros e ensaios, incluindo "Schindler's Legacy: True Stories of the List Survivors" de Elinor J. Brecher, que reúne depoimentos de sobreviventes da lista de Schindler.

9. Uma das frases mais marcantes do filme, "Whoever saves one life, saves the world entire" ("Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro"), é uma antiga tradição judaica que se tornou um lema para o filme.

10. A produção do filme envolveu uma grande quantidade de figurantes, muitos dos quais eram sobreviventes do Holocausto e seus familiares, que foram convidados para participar das filmagens.

Nota 10

quarta-feira, 19 de abril de 2023

O Poderoso Chefão

 


O Poderoso Chefão é um clássico do cinema que conta a história da família Corleone, uma das mais poderosas e influentes da máfia italiana em Nova York nos anos 40. Vito Corleone é o patriarca da família, um homem respeitado e temido por todos. Quando um dos seus filhos, Michael, é arrastado para a vida criminosa da máfia após um ataque contra seu pai, ele se vê obrigado a assumir o papel de líder da família e enfrentar os inúmeros desafios e conflitos que surgem em seu caminho. O filme é um retrato complexo e emocionante do poder, da lealdade e da violência, apresentando uma trama envolvente que prende a atenção do espectador do início ao fim. Com um elenco estelar, incluindo Marlon Brando e Al Pacino, O Poderoso Chefão é um filme obrigatório para qualquer amante do cinema.


A partir daqui, se você não assistiu ao Filme, fica o alerta para Spoiler!



O primeiro ato de "O Poderoso Chefão" apresenta a família Corleone, liderada por Vito Corleone, interpretado por Marlon Brando. Vito é um homem respeitado e temido por todos na comunidade ítalo-americana de Nova York nos anos 40, conhecido por sua generosidade e habilidade em resolver conflitos. A trama começa com a celebração do casamento da filha de Vito, Connie, onde conhecemos a extensão da influência e poder da família.

Durante a festa, encontramos os três filhos de Vito: Sonny, Fredo e Michael, interpretados respectivamente por James Caan, John Cazale e Al Pacino. Michael, o filho mais novo e o único que não está envolvido nos negócios da família, retorna do exército e reencontra a namorada Kay Adams, interpretada por Diane Keaton.

A tensão começa a se acumular quando Vito é abordado por Virgil Sollozzo, um chefe de uma família rival da máfia, que pede ajuda para entrar no mercado das drogas. Vito se recusa, desencadeando uma série de eventos que leva a um atentado contra sua vida. É nesse ponto que Michael é arrastado para o mundo do crime, tendo que tomar uma decisão que mudará sua vida e a de toda a família.

O primeiro ato de "O Poderoso Chefão" estabelece a trama e os personagens principais, introduzindo as tensões e conflitos que impulsionam a história. O clima é de celebração, mas também de perigo e violência eminente, preparando o terreno para o que está por vir nos atos seguintes.




No segundo ato de "O Poderoso Chefão", vemos a luta pelo poder na máfia se intensificando, enquanto Michael Corleone assume gradualmente o controle da família após a tentativa de assassinato de seu pai. O foco principal do segundo ato é a guerra entre as cinco famílias de Nova York, iniciada pelo assassinato do chefe da família Tattaglia. Enquanto isso, Michael planeja um golpe contra o traficante de drogas Virgil Sollozzo e o capitão da polícia McCluskey para vingar o atentado contra seu pai.

Nesse ato, também somos apresentados a personagens importantes, como o consigliere Tom Hagen e o irmão mais velho de Michael, Sonny. Sonny, impaciente com a estratégia pacífica do pai, assume a liderança da família durante a guerra, mas acaba sendo morto em uma emboscada. Michael, que havia sido enviado para a Sicília para se esconder, retorna a Nova York e se prepara para vingar a morte do irmão.

O segundo ato é uma das partes mais intensas e emocionantes do filme, com cenas de ação, traições e reviravoltas que levam a um clímax emocionante. A atuação de Al Pacino como Michael Corleone se destaca nesse ato, mostrando sua transformação de um homem relutante a assumir o negócio da família para um líder astuto e determinado.




O terceiro e último ato de "O Poderoso Chefão" começa com a escalada da tensão entre as famílias Corleone e seus inimigos, especialmente o personagem Joey Zasa, que quer expandir seu poder na cidade. Michael Corleone agora está enfrentando sua própria mortalidade e preocupado com o futuro de seus negócios, ele começa a tomar medidas drásticas para manter o controle.

Nesse ato, a trama se concentra em torno do envolvimento de Michael em uma tentativa de normalizar sua relação com sua ex-esposa Kay, ao mesmo tempo em que tenta controlar a espiral crescente de violência em torno de seus negócios. Michael tenta se redimir pelos erros do passado e buscar a paz em seus últimos dias, mas encontra muitos obstáculos.

O clímax do filme ocorre no batizado de Connie Corleone, onde uma série de eventos chocantes e trágicos acontecem, culminando em um final poderoso e emocionalmente devastador. Esse último ato encerra a trama de forma surpreendente, com Michael refletindo sobre as escolhas que fez e as consequências de seus atos, enquanto o futuro de sua família é deixado em aberto.


Crítica

"O Poderoso Chefão" é um clássico do cinema que permanece como um dos melhores filmes já produzidos. O diretor Francis Ford Coppola apresenta uma história fascinante que explora temas como família, poder, tradição e corrupção. O filme é baseado no romance homônimo de Mario Puzo e é amplamente considerado uma obra-prima do cinema.

O filme apresenta uma narrativa complexa e bem construída, com personagens memoráveis e uma trama envolvente. O roteiro é habilmente escrito e as performances dos atores são incríveis. Marlon Brando, Al Pacino e James Caan entregam atuações inesquecíveis, o que contribui significativamente para o sucesso do filme.

Um dos pontos fortes do filme é a maneira como Coppola apresenta a história. Ele usa uma linguagem visual fascinante, com uma iluminação impecável e uma paleta de cores marcante. O filme é repleto de imagens icônicas que são reconhecidas em todo o mundo, como a cena da cabeça de cavalo na cama de Hollywood.

Além disso, "O Poderoso Chefão" apresenta uma trilha sonora incrível, que contribui significativamente para a atmosfera do filme. A música tema do filme, composta por Nino Rota, é tão icônica quanto as imagens que a acompanham.

No entanto, apesar de ser uma obra-prima do cinema, "O Poderoso Chefão" tem alguns pontos fracos. O filme é longo e pode parecer lento em alguns momentos, o que pode afetar a atenção do espectador. Além disso, algumas cenas parecem excessivamente violentas, o que pode afastar alguns espectadores.

Coppola pode ter tido a intenção de mostrar como a ganância e a corrupção podem corromper até mesmo as pessoas mais próximas e amorosas. Além disso, a obra pode ter uma mensagem sobre a importância da tradição e da família, mesmo em um mundo moderno em constante mudança.

No geral, "O Poderoso Chefão" é uma obra-prima do cinema que merece ser vista e apreciada por todos os amantes do cinema. Embora tenha alguns pontos fracos, a história envolvente, as atuações incríveis e a linguagem visual fascinante tornam este filme um clássico inesquecível.

Curiosidades:

1. O diretor Francis Ford Coppola inicialmente não queria dirigir o filme, mas foi convencido por seu produtor.

2. Al Pacino, que interpreta o papel principal de Michael Corleone, foi inicialmente rejeitado pelo estúdio e pelos produtores do filme, que achavam que ele não tinha o visual de um gângster.

3. Marlon Brando, que interpreta o papel de Vito Corleone, usou próteses de maquiagem em seu rosto para criar a aparência de um homem mais velho e com cicatrizes.

4. A famosa cena do cavalo decapitado foi criada usando um cavalo morto real, que foi obtido de um açougueiro local.

5. O diretor Francis Ford Coppola teve que brigar com o estúdio para manter a cena do batismo em que Michael Corleone ordena a execução de seus inimigos. O estúdio queria cortar a cena, mas Coppola argumentou que ela era essencial para a trama.

6. O filme foi baseado em um romance homônimo de Mario Puzo, que colaborou com Coppola no roteiro do filme.

7. O Poderoso Chefão foi um grande sucesso comercial e crítico, arrecadando mais de US$ 130 milhões em bilheteria mundial e ganhando três prêmios Oscar, incluindo Melhor Filme.

8. O filme foi tão influente na cultura popular que muitas expressões e frases famosas do filme se tornaram parte do vocabulário comum, como "vou fazer uma oferta que ele não pode recusar" e "aqui está a minha proposta".

9. O sucesso do filme levou a duas sequências, "O Poderoso Chefão II" e "O Poderoso Chefão III", que foram lançadas em 1974 e 1990, respectivamente.

10. O filme ainda é considerado um clássico do cinema, sendo frequentemente citado como um dos melhores filmes já feitos.

Nota 10

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Um Sonho de Liberdade

Um Sonho de Liberdade" é um filme norte-americano de 1994, dirigido por Frank Darabont e baseado no livro "Rita Hayworth and Shawshank Redemption" de Stephen King. O filme conta a história de Andy Dufresne, um banqueiro que é condenado à prisão perpétua pelo assassinato de sua esposa e do amante dela, crimes que ele não cometeu. O filme é uma jornada emocional que aborda temas como a amizade, a esperança e a redenção. O elenco é liderado por Tim Robbins, que interpreta Andy, e Morgan Freeman, que interpreta Red. A atuação de ambos é elogiada até hoje e o filme se tornou um clássico do cinema, recebendo sete indicações ao Oscar em 1995."Um Sonho de Liberdade" é um filme que prende a atenção do espectador do início ao fim e é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos.


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O filme começa com a chegada de Andy Dufresne na Penitenciária Estadual de Shawshank, onde ele é recebido pelos guardas e outros presos. Aos poucos, o espectador descobre que Andy foi condenado injustamente pelo assassinato de sua esposa e do amante dela.

Conhecendo a Prisão

Ao longo do filme, o espectador é apresentado à rotina da prisão e aos personagens que ali habitam. Andy faz amizade com Red, um dos presos mais antigos da prisão, e juntos eles passam por diversas situações, desde a violência dos guardas até a criação de um projeto de biblioteca para a população carcerária.

A Redenção

Aos poucos, Andy começa a trabalhar em um projeto secreto que pode mudar a vida de todos os presos. Ele usa sua habilidade com finanças para ajudar os guardas a investir dinheiro no mercado financeiro, conseguindo assim uma grande quantia de dinheiro. Com isso, Andy consegue sua liberdade e foge da prisão.

Conclusão

O filme termina com Red sendo libertado após cumprir sua pena e seguindo para a cidade de Zihuatanejo, onde Andy disse que iria encontrá-lo. O filme deixa claro que a amizade entre Andy e Red foi fundamental para que ambos encontrassem a redenção e a liberdade.

Personagens

Andy Dufresne (interpretado por Tim Robbins): Andy é o protagonista do filme e o personagem principal. Ele é condenado por assassinar sua esposa e seu amante, mas ele é inocente e mantém sua inocência ao longo do filme. Andy é um homem inteligente e educado, e ele usa essas habilidades para ajudar seus companheiros de prisão e planejar sua própria fuga. Andy é incrivelmente determinado e perseverante. Ele não desiste de sua luta pela liberdade, apesar de todas as dificuldades que enfrenta ao longo do caminho. Além disso o protagonista demonstra um espírito altruísta e desinteressado. Ele usa seus conhecimentos para ajudar outras pessoas e contribuir para o bem-estar dos outros, mesmo em uma situação tão difícil quanto a prisão. No geral, Andy  é um personagem inspirador que representa muitas qualidades positivas, incluindo inteligência, honestidade, compaixão, determinação e altruísmo. É por isso que ele é um dos personagens mais amados e admirados da história do cinema.



Ellis Boyd "Red" Redding (interpretado por Morgan Freeman): é um prisioneiro veterano que é conhecido por ter um jeito com as palavras e a capacidade de conseguir coisas dentro da prisão. Ele é amigo de Andy e ajuda-o a obter ferramentas para sua fuga. Red é o narrador do filme e é um personagem muito carismático e simpático.



Brooks Hatlen (interpretado por James Whitmore): Brooks é um prisioneiro idoso que tem um emprego importante na prisão como bibliotecário. 



Esses são apenas alguns dos personagens memoráveis ​​de "Um Sonho de Liberdade", e cada um deles tem sua própria história interessante e emocionante para contar.

Agora quero abordar mais esses três personagens que se encontraram na mesma situação, encarcerados. Ambos saíram da prisão, porém existem alguns fatores que contribuem para o destino diferente dos personagens em "Um Sonho de Liberdade". Aqui estão alguns deles:

1. Personalidade e perspectiva: Cada personagem tem sua própria personalidade e perspectiva. Andy é um personagem otimista e determinado, que nunca desiste de sua luta pela liberdade. Red é mais cínico e desconfiado, mas eventualmente é inspirado pela esperança de Andy. Brooks, por sua vez, é um personagem mais frágil e vulnerável, que luta para se adaptar ao mundo fora da prisão.

2. Ações e escolhas: As ações e escolhas que cada personagem faz têm um grande impacto em seu destino. Andy é capaz de encontrar uma maneira de escapar da prisão e construir uma nova vida para si mesmo, enquanto Red escolhe seguir seus conselhos e encontra um novo propósito na vida. Brooks, por outro lado, não consegue se adaptar ao mundo fora da prisão e acaba se suicidando.

3. Sorte e circunstância: Às vezes, o destino dos personagens é determinado por fatores além de seu controle. Andy tem sorte de ter encontrado um amigo em Red que eventualmente ajuda ele a alcançar a liberdade. Brooks, por outro lado, é vítima das circunstâncias e da sua idade avançada, o que o torna menos capaz de se adaptar ao mundo fora da prisão.

No final, a diferença no destino dos personagens é uma combinação complexa desses fatores e outros. 

Curiosidades

O filme é baseado no livro de Stephen King "Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank", publicado em 1982.

O filme foi dirigido por Frank Darabont, que também escreveu o roteiro. Ele tinha os direitos para fazer o filme por apenas US$ 5.000, graças a uma opção que ele recebeu como parte do pagamento de um conto anterior que ele vendeu para o diretor Rob Reiner.

O filme não foi um grande sucesso de bilheteria quando foi lançado em 1994, mas se tornou um clássico cult e um sucesso em home video.

A cena em que Andy Dufresne (Tim Robbins) toca "Duettino- Sull'aria" de Mozart para os outros presos foi improvisada por Robbins, que trouxe a música para o set. A reação dos outros atores no filme é autêntica, pois eles não sabiam que Robbins faria essa cena.

A famosa citação "Get busy living, or get busy dying" ("Fique ocupado vivendo, ou fique ocupado morrendo"), dita por Andy Dufresne, foi inspirada em uma citação do escritor Dylan Thomas.

O filme foi indicado a sete Oscars, incluindo Melhor Filme, mas não ganhou nenhum. Foi amplamente considerado uma das maiores injustiças na história do Oscar.

A penitenciária de Shawshank é na verdade a Penitenciária Estadual de Ohio, que foi desativada em 1990. O local foi escolhido porque era um dos poucos presídios que não havia passado por reformas arquitetônicas significativas desde a década de 1930.

O filme foi gravado em apenas três meses, o que é bastante curto para um filme de longa metragem.

Morgan Freeman foi a escolha original para interpretar Red, mas ele inicialmente recusou o papel porque ele sentiu que estava sendo tipo-cast como o "velho sábio". No entanto, ele acabou aceitando o papel e foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por sua atuação.

"Um Sonho de Liberdade" é consistentemente classificado como um dos melhores filmes já feitos, aparecendo em várias listas dos "melhores filmes de todos os tempos".

Nota 10


terça-feira, 21 de março de 2023

Tár

Tár é um filme que conta a história fictícia da maestrina Lydia Tár, interpretada pela renomada Cate Blanchett, que se torna a primeira diretora musical feminina da Filarmônica de Berlim. Embora a trama apresente uma personagem principal brilhante e bem-sucedida, Lydia é revelada como uma pessoa narcisista, abusiva e com comportamentos reprováveis que prejudicam aqueles ao seu redor.

O diretor Todd Field merece elogios por sua habilidade em lidar com temas complexos, como abuso, elitismo cultural e ética/antiética, que são explorados de forma provocativa na trama. A cinematografia é cuidadosa, com uma paleta de cores rica, e a trilha sonora original, composta por Todd Field e Philip Glass, cria uma atmosfera musical única.


A partir daqui, se você não assistiu ao Filme, fica o alerta para Spoiler!

Confesso que desde que me propus a fazer críticas de cinema passei a apreciar mais filmes que não entregam toda mensagem mastigada, mas me desafiam. Esse processo de revisitar e ruminar obras cinematográficas tem sido prazeroso e didático. E aqui temos um filme complexo que pode ter sido uma má experiência para muitos que não conseguiram entender de primeira a proposta desse longa-metragem e a importância das reflexões que Tar nos apresenta.

 A personagem Lydia Tár é bem construída e suscita amor e ódio nos expectadores, mostrando seu brilhantismo como artista, seu amor pela música e seu relacionamento com a filha, mas também sua natureza narcisista, predatória e suas atitudes condenáveis, como a mentira, intimidação, terror psicológico, infidelidade, as vezes quando ela alicia mulheres mais jovens e como ela descarta pessoas quando não precisa mais delas. Lydia é uma Narcisista abusiva que deixa rastro de ódio por onde passa, além disso, a personagem ainda apresenta quadros de paranoia e alucinação.
    
No filme, o comportamento inapropriado de Lydia com dois personagens em particular foram responsáveis pelo seu cancelamento. Um desses personagens foi Krista, interpretada por Sylvia Flote, que foi usada e descartada por Lydia e acabou cometendo suicídio após várias tentativas de contato ignoradas pela maestrina. O segundo personagem foi Max, interpretado por Zethphan Smith-Gneist, um aluno do Juilliard School. A cena que se passa na escola de arte é particularmente importante, pois levanta os principais temas que o filme trata. Lydia, como professora, fica furiosa após a justificativa de Max sobre a rejeição das obras de Bach, um dos maiores compositores da história da música ocidental. O aluno confessa ser Pansexual e relata o descontentamento em relação ao compositor ser branco e misógino, acrescentando que estava mais interessado em composições contemporâneas. Lydia tenta defender a música clássica, sustentando que tinha lugar de fala, pois era mulher lésbica e que deveríamos separar a vida pessoal do artista de suas obras. No entanto, sua oratória está carregada de hostilidade, zombaria, bullying verbal e desrespeito, enquanto os professores deveriam ouvir seus alunos e refutá-los de forma respeitosa que os façam refletir.



Embora as justificativas de Max possam ter parecido fúteis e canceladoras do ponto de vista acadêmico, o comportamento corporal do aluno, juntamente com a movimentação da câmera, mostra que aquele tema ou aquela exposição estava causando um grande desconforto e ansiedade no jovem. As batidas de perna de Max evoluem e aceleram com a progressão da exposição, e ele tem algumas risadas nervosas que são uma maneira de lidar com o nervosismo. Após a cena do piano, vemos Lydia em primeiro plano, enquanto Max está sentado na frente do piano com a cabeça baixa. Essa cena nos faz refletir se é possível separar a arte dos artistas e qual é o limite da arte.

O comportamento desonesto, abusivo ou reprovável dos artistas pode não causar indignação na maior parte da sociedade, mas para aqueles que se sentem diretamente afetados, é impossível evitar o cancelamento. Se a vida tóxica de um artista não me afeta, estou livre para apreciar sua arte? Existe um limite para a arte? Essas são questões importantes que devemos refletir. No filme, Max sai da aula furioso antes mesmo de Lydia terminar sua elucubração, demonstrando que a situação afetou profundamente o jovem.



Após o cancelamento de Lydia Tár, podemos ver seu descontrole mental escalando quando ela é solicitada pela vizinha para reduzir o volume de suas músicas. Logo após o diálogo, ela começa a tocar e cantar em voz alta, ironizando o episódio. O ápice do desequilíbrio acontece quando a personagem agride o maestro que a havia substituído em uma apresentação do concerto.

Cancelada por todos, a maestrina se isola nas Filipinas, onde tem a oportunidade de reger novamente, já que é desconhecida no Oriente. Pouco antes do evento, Lydia vai parar em uma casa de massagem que mais parecia um prostíbulo. Lá, ela é solicitada a escolher uma das mulheres expostas em uma espécie de vitrine. A única mulher que olha fixamente para ela é a número cinco, que representa a sinfonia que a personagem queria tanto reger. Assim que ela deixa aquele local, ela vomita quase que como uma espécie de confirmação de uma profecia. Lembra outro momento em que a personagem sentiu nojo quando ela ajudou sua vizinha, que parecia ter problemas mentais, a levantar uma idosa debilitada e colocar na cadeira? Aquela cena era uma profecia do que poderia ser o final decadente e solitário da artista.

O filme termina com a maestrina regendo em um evento do jogo Monster Hunter, onde o público vestia cosplay . A artista monstro Caçadora foi caçada, e Lydia é apenas uma apresentação secundária para um nicho específico. Talvez o que essa cena final queira deixar como mensagem é que aqueles que apreciam obras de artistas cancelados se trajam de fantasias.


O diretor Todd Field não se propõe a fazer um julgamento sobre a polêmica artista Lydia Tár. Ele apresenta os fatos e deixa a reflexão com o público. A intenção do cineasta é provocar. Os espectadores devem fazer suas escolhas: amam ou odeiam Lydia Tár? A cancelariam? Até quando? Quais são os critérios do cancelamento? Devemos separar a arte dos artistas?

Em minha opinião, Tár deveria ser motivo de debates na sociedade e provavelmente se tornará um filme mais reconhecido num futuro próximo. Não se trata de um filme para um nicho da sociedade, mas sim sobre arte e a cultura do cancelamento, temas tão presentes atualmente.

Nota 7

terça-feira, 7 de março de 2023

Aftersun

Aftersun é um filme que conta a história de Sophie, uma menina de onze anos que passa um verão com seu pai Calum em um resort em decadência na Turquia no final da década de 1990. Vinte anos depois, Sophie reflete sobre as lembranças desse feriado passado com o pai e tenta se reconciliar com esse homem que ela percebe não conhecer completamente. A trama aborda temas como pertencimento, perda, memória e depressão, o que pode levar a reflexões sobre a vida e as relações humanas. Em suma, o filme nos ensina sobre a importância de valorizar nossas relações pessoais e nossas memórias para construir uma vida mais significativa. O filme emociona pela relação entre pai e filha e na imaginação do que o futuro reserva para eles

Ao falar sobre o filme Aftersun, é importante citar os principais elementos que contribuíram para o seu sucesso. Isso inclui a direção sensível e melancólica de Charlotte Wells, as indicações ao Oscar 2023 na categoria de Melhor Ator para Paul Mescal e ao BAFTA 2023 nas categorias de Melhor Filme Britânico e Melhor Ator para Paul Mescal. Além disso, também é importante destacar a trilha sonora envolvente do filme e as atuações marcantes de Paul Mescal e Frankie Corio. A diretora usou técnicas como flashbacks para contar a história, o que contribuiu para criar um clima poético e lírico. Além disso, a fotografia do filme é marcada por tons pastel que refletem o tom melancólico da trama

Sophie é retratada como uma menina inteligente e curiosa e algumas vezes é vista como madura para sua idade. Ela está naquela período de tentar entender o mundo ao seu redor e descobrir quem ela é. Já Calum é retratado como um pai amoroso e idealista, mas também como alguém que luta contra seus próprios demônios internos.


A partir daqui, se você não assistiu ao Filme, fica o alerta para Spoiler!


Aftersun é um filme só para aqueles que possuem sensibilidade e empatia, tem muita coisa acontecendo no silencio, tem muito de linguagem silenciosa por parte do personagem Calum. A trama é uma revisitação das memórias de Shopie daquela viagem com o pai, do ponto de vista dela essas memórias representam saudade e melancolia. Já se olharmos do ponto de Vista de Calum é sobre depressão, caos interno a todo o momento.

Como o filme apresenta dois personagens tão complexos e diferentes, vamos tentar entender qual o olhar de cada personagem sobre os eventos transcorridos naquele verão. A trama se passa em quase todos os momentos dentro do resort ao qual os personagens estavam hospedados.

Vamos começar nossa análise com Sophie e logo de início, chama a atenção a curiosidade da personagem. Durante o filme, a menina está sempre fazendo perguntas e tentando entender melhor o mundo ao seu redor. Ela quer saber mais sobre a cultura turca, a história de sua família, as emoções de seu pai e a relação entre ele e sua mãe. Sophie também está interessada nas pessoas que ela conhece durante a viagem. Sua curiosidade é uma forma de se conectar com o mundo e com as pessoas ao seu redor, mostrando como ela está tentando criar memórias duradouras daquele verão especial. Além disso, a curiosidade de Sophie representa a ideia de que as memórias são construídas através da exploração e do aprendizado, e é importante estar aberto às experiências novas para criar lembranças significativas. Em suma, a curiosidade de Sophie é um tema importante em Aftersun e mostra como essa característica pode ser transformadora na construção das memórias.

Podemos ver em vários momentos a jovem observando as pessoas ao seu redor, como quando ela está bisbilhotando por uma fechadura e observa duas adolescentes conversando, quando presencia jovens se beijando e ao observar os outros, ela consegue aprender muitas coisas sobre eles, como sua linguagem corporal e seus hábitos. Além disso, Sophie usa a observação para entender melhor o comportamento humano e como as pessoas interagem entre si. Sophie usa a observação para entender melhor sua própria ansiedade social e como ela afeta suas relações interpessoais. Em suma, os momentos em que a personagem está observando as pessoas mostram como essa característica é importante para entender melhor o mundo ao seu redor.

 O espectador pode ser levado a entender que Sophie procura interagir com crianças mais velhas propositalmente porém, na verdade, ela tem dificuldade em fazer amigos durante a viagem e parece estar presa em uma faixa etária estranha, onde as crianças são muito jovens e os adolescentes são muito crescidos. Durante o filme, a personagem tenta se conectar com outras pessoas de várias idades, incluindo adultos e crianças mais velhas. 

 Por vezes, Sophie tenta construir boas memórias com seu pai durante a viagem. As cenas na loja de tapetes em Aftersun são uma metáfora poética para a ideia de que as memórias são como tecidos que podem ser desgastados e desbotados com o tempo. Durante a cena, Sophie e Calum estão escolhendo um tapete para levar para casa, mas o vendedor alerta que o tapete pode perder sua cor e textura se for exposto ao sol por muito tempo. Essa cena representa a fragilidade das memórias e como elas podem ser afetadas pelo tempo e pelas circunstâncias. Além disso, a cena também mostra como a personagem está tentando criar uma lembrança duradoura daquele momento com seu pai, escolhendo cuidadosamente um objeto que possa representar aquele verão especial. 

Sophie e Calum tiram uma foto juntos, mas a imagem fica borrada. Calum tenta esconder a foto com o braço, mas Sophie insiste em vê-la. Essa cena retrata a fragilidade das memórias e como elas podem ser afetadas pelo tempo e pelas circunstâncias. Além disso, mostra como Sophie está tentando criar uma lembrança duradoura daquele momento com seu pai, mesmo que essa lembrança seja imperfeita. A foto borrada em Aftersun é uma metáfora poética que reforça a ideia sobre a importância das memórias.

Os problemas psicológicos de Calum limitaram as experiências vividas por Sophie durante a viagem. Embora ela não entendesse completamente a complexidade do drama que seu pai enfrentava, ficava evidente que algo estava errado. Em algumas cenas em que a menina apenas queria se divertir e criar boas memórias, acabou sendo frustrada pela saúde mental comprometida de Calum. Uma cena que retrata isso de forma tensa, triste e constrangedora é quando Sophie convida seu pai para subir ao palco e cantar com ela. Calum recusa e, quando Sophie retorna do palco triste, ele faz comentários inadequados. Essa cena foi muito bem dirigida e interpretada pelos atores, mostrando o constrangimento de Sophie no palco. Não era porque ela não sabia cantar, mas porque deveria ter sido uma experiência compartilhada e divertida. Voltaremos a essa cena mais adiante, pois é preciso entender o que se passava dentro da cabeça de Calum naquele momento para compreender o contexto completamente.



O personagem Calum é retratado como alguém que cresceu em uma família tóxica e lida com problemas financeiros. Durante o filme, ele tenta esconder suas lutas internas e evita falar sobre a falta de dinheiro com sua filha Sophie. Apesar de dar desculpas para não participar de algumas atividades, o verdadeiro motivo era o orçamento limitado. A viagem para a Turquia era uma oportunidade para criar memórias duradouras juntos, mas a falta de dinheiro afetava sua capacidade de proporcionar experiências mais significativas. A limitação monetária também afetava sua autoestima e sua capacidade de se conectar com Sophie. Em resumo, a situação financeira de Calum é um assunto que tem sua importância em Aftersun e afeta tanto Sophie quanto ele próprio.


Calum parece ser dominado pela depressão, que se manifesta em sua postura corporal, voz e falta de interação com outras pessoas durante a viagem. Uma de suas poucas interações foi com um funcionário de embarcação, em que ele revela não saber como chegou aos trinta anos. O fato de não conversar com sua filha sobre sua saúde financeira demonstra que essa é uma das maiores preocupações que o afetam. As crianças entendem quando os pais têm orçamento limitado. A monotonia da viagem não se devia apenas à falta de dinheiro, mas também à depressão.

A questão da depressão é fundamental para compreender a situação mental de Calum. Se houvesse estágios para a depressão, ele estaria no último. É provável que ele não quisesse fazer a viagem naquele estado mental, e talvez não quisesse estar em lugar nenhum. A depressão é um mundo em que você é o único morador, e ainda assim sente como se ele estivesse lotado. Em duas cenas, podemos ver o desespero em que ele se encontra. Uma delas é quando ele chora descontroladamente, mostrando como a tristeza o consome. Outra cena é quando ele foge para a praia, volta pelado e dorme na cama da filha, esquecendo-a do lado de fora do quarto. Esse episódio trouxe muita vergonha para ele, que foi retratada na cena em que fazem uma atividade com lama terapêutica, em que ele pede desculpas várias vezes. Pessoas nesse estágio de saúde mental muitas vezes tentam se agarrar em algo como uma espécie de norte como última tentativa, e Sophie era o último norte dele. Na viagem, ele provavelmente se convenceu de que o mundo seria melhor sem ele, não porque fosse mau, mas porque seu estado mental afetava as pessoas ao seu redor.

Finalmente, voltando à cena em que Sophie é deixada para cantar sozinha no palco do resort, vemos a tristeza em seus olhos, sentindo-se abandonada pelo pai. Essa cena é significativa porque mostra como a depressão de Calum afetou não apenas ele, mas também sua filha.




Quando Sophie volta depois de uma terrível apresentação, seu pai Calum diz a ela que a colocaria em uma aula de canto e deixa de lado o fato de que sua filha esperava que ele estivesse ao seu lado. Se você não souber o que passou pela cabeça dele, a primeira impressão é de que foi um comentário grosseiro, tanto que a menina diz que não se importa com a performance dela. Então ela manda um tiro certeiro em Calum, dizendo que ele não teria dinheiro para bancar aulas de canto e revelando que sabe sobre a condição financeira do pai. Ela estava transtornada, a atividade deveria ser divertida, os dois serem desastrosos no palco e guardar aquela memória como boa, mas ele não queria ser visto, não queria ser notado. O comentário infeliz foi por conta da tentativa de esconder o real motivo, a depressão.

Outro momento que foi devastador para Calum foi a comemoração do seu aniversário. Se tivesse acabado na felicitação de Sophie, o dia teria terminado menos pior. Mas a menina, sem entender o que se passava na mente do pai, combinou com todos os passageiros de um dos passeios do resort em cantar parabéns surpresa. Ficou evidente o constrangimento dele. Provavelmente porque alguém com depressão já se isolou tanto das atividades sociais que ver um monte de gente estranha dando parabéns para ele porque sua filha organizou é como se ela estivesse sentindo pena dele. Do ponto de vista de todos é uma atitude fofa, mas na mente doente de alguém com depressão, a percepção dos fatos é mais sensível.

Em alguns momentos, o personagem finge uma animação que não é verdadeira. Isso é típico de alguém com depressão e isso provavelmente corroeu o personagem , pois ele sabia que não estava conseguindo fazer as atividades que queria praticar e que Sophie esperava que um pai fizesse. Já perto do final da viagem, ele finge uma animação falsa e tenta motivar Sophie, em outro momento, força uma animação que não existia, e chama Sophie para dançar, ele sabia que ela recusaria. Não que ele não fosse uma pessoa legal, ele era tudo o que transmitia, mas a depressão não permitia. A pessoa adia atividades todos os dias e sempre tem uma desculpa. A depressão destrói no campo das teorias e na química do cérebro. Lutar contra a depressão é parecido com a luta entre Rocky vs Drago em Rocky 4. Você apanha round após round e quando você revida parece que está batendo em uma parede. Dói mais revidar. E se você sobrevive, você sai cheio de sequelas.

O filme termina com Calum se despedindo no aeroporto, gravando Sophie enquanto ela faz umas palhaçadas, momentos após revelar que tinha adorado a viagem. Por mais das dificuldades da viagem, a imagem dos pais na mente dos filhos é de heróis. Não é o dinheiro, pois os menos afortunados também são felizes, e para as crianças, qualquer atividade é feliz.
O filme Aftersun nos lembra que as experiências compartilhadas com quem amamos são muito valiosas e preciosas. Mesmo quando as coisas não saem como planejado ou não são perfeitas, elas ainda podem ser lembradas como momentos especiais. É importante valorizar esses momentos e não deixar que a depressão ou outras dificuldades nos impeçam de criar memórias felizes com nossos entes queridos.

Além disso, o filme também nos mostra como a depressão pode afetar profundamente a vida de uma pessoa e de sua família. É importante entender que a depressão é uma doença real e séria, que precisa ser tratada com cuidado e atenção. A compreensão e o apoio de pessoas próximas podem ser fundamentais para ajudar alguém que está passando por uma crise de depressão.

Em resumo, Aftersun é um filme emocionante e profundo, que nos leva a refletir sobre a importância das relações humanas e sobre a necessidade de cuidarmos uns dos outros. É um filme que nos toca e que nos faz pensar sobre as questões que são importantes em nossas vidas.

Minha nota para esse filme é 8


Aftersun chegou aos catálogos de Video On Demand. Ou seja, o filme já está disponível para aluguel nas mais variadas plataformas, como Apple TV (iTunes), Google Play, YouTube Filmes, Vivo Play e Claro TV+

domingo, 5 de março de 2023

Os Fabelmans

 

O filme "Os Fabelmans" é semi-autobiográfico e conta a história do Sammy Fabelman, um jovem apaixonado por filmes que cresce no Arizona pós-Segunda Guerra Mundial. O menino sonha em se tornar um cineasta e faz seus próprios filmes com sua câmera, inspirado pelos clássicos de Hollywood. No entanto, ele descobre um segredo devastador de sua família e precisa lidar com a dor e a decepção. A obra é uma mistura de nostalgia e melancolia, mostrando a magia e o poder do cinema na vida de Sammy Fabelman. 

Embora "Os Fabelmans" tenha recebido críticas mistas, com alguns apontando o roteiro como pouco notável e longo demais, considero o roteiro do filme bem construído, sensível e emocionante, destacando a importância dos filmes em nossas vidas. Spielberg consegue transmitir a magia do cinema de forma única, mostrando como a sétima arte pode nos ajudar a ver a verdade sobre os outros e sobre nós mesmos. O cineasta dividiu a produção do roteiro com o roteirista Tony Kushner.

O elenco também é um grande destaque do filme, com atuações impressionantes que conseguem transmitir toda a emoção e complexidade dos personagens. Destaque para os atores Gabriel LaBelle como Sammy Fabelman, Michelle Williams de "O rei do Show" interpretando a mãe do Sammy, Paul Dano como pai do Sammy e Judd Hirsch como o tio Boris, além das presenças ilustres de Seth Rogen como Bennie e Greg Grunberg como Bernie Fein.

A trilha sonora também ajudou a engrandecer a obra, sendo produzida por Milan Records e composta pelo ganhador do Oscar, John Williams (“Star Wars”, “Jurassic Park”).

A cenografia e os figurinos não poderiam ficar sem ser mencionados. Ambientado ao longo dos anos 50 e 60, o filme faz um excelente trabalho de reconstrução de época, perceptível tanto nos mínimos detalhes de seus cenários quanto na caracterização dos personagens. Na cenografia, há um grande cuidado com a escolha dos móveis e a estética das casas, conforme as tendências da época. Os modelos de câmera utilizados por Sammy também revelam mais sobre a ambientação temporal do longa, sempre atento às novidades da época. Nos figurinos, o mesmo, com destaque para a evolução dos penteados ao longo dos anos. Além disso, as locações reais no Arizona ajudaram a dar vida à história.


A primeira parte de Os Fabelmans o filme aborda a infância de Sammy, seu encanto com o cinema, sua relação com suas irmãs e o ambiente familiar. A medida que ele vai crescendo, ele mostra toda sua habilidade para dirigir filmes de pequena duração e criar efeitos especiais fora do comum para alguém tão novo e com tão poucos recursos. Todos a sua volta, ficam encantados com suas produções de curtas-metragens. Além de suas pequenas produções, o jovem Sammy registra tudo com sua câmera, até que um tempo depois, mais velho editando gravações do passado, ele descobre que sua mãe estava tendo um caso de infidelidade com o Bennie (Seth Rogen) amigo do seu pai e quase um membro da família.

Para Sammy, guardar o segredo sobre a traição de sua mãe foi extremamente difícil e desafiador. Ele era uma criança quando descobriu a verdade e, como qualquer criança, ele se sentiu confuso e abalado com a revelação. Além disso, o protagonista sentia uma grande pressão em manter esse segredo. Na verdade, ele não percebeu a traição de sua mãe quando gravou os vídeos porque, como criança, ele não tinha consciência do que estava acontecendo. Ele gravou os vídeos por pura diversão e curiosidade, sem entender completamente o que estava se passando na vida de seus pais. 

Ao longo da trama, é possível observar como o drama familiar afeta o personagem, que se torna mais reservado e isolado, guardando seus sentimentos e emoções dentro de si mesmo, ao ponto de se afastar até mesmo da sua melhor companheira, a câmera. Entretanto, essa situação possibilitou que Sammy fosse compreendendo melhor sua história e se reconectando com seus pais de forma mais profunda e sincera.

Depois da promoção no emprego do pai de Sammy, toda família se muda para Califórnia. Lá o jovem tem que lidar com bullying praticado por alunos do colégio, além de sofrer ofensas antissemitas. Se não bastassem essas perseguições, ele presenciou um esgotamento psicológico por parte de sua mãe por conta da saudade que ela sentia do Bennie e por todo sentimento de culpa pelas traições e segredos que escondia. Logo depois o cenário evolui para a dissolução familiar quando todas as verdades vieram a tona.

No evento programado pelo colégio para a exibição das gravações feitas na praia, Sammy decide confrontar os colegas agressores. A cena da exibição do filme é emocionante e impactante, e mostra a coragem do protagonista em enfrentar seus traumas e utilizar sua arte como forma de cura e transformação. É um momento poderoso que ilustra a importância do cinema não apenas como meio de entretenimento, mas como forma de expressão e resistência


O primeiro contato do jovem Fabelman com as lentes da câmera foi a descoberta de um propósito, o encanto do mundo do cinema, no entanto, também através da câmera ele enxerga a traição de sua mãe e mais tarde, a mesma câmera que o encantou também revelou verdades duras que o entristeceram, mas agora ela será usada como uma arma poderosa para ferir, não o corpo, mas o ego dos seus agressores através da arte.  Chad Yhomas interpretado pelo Oakes Fegley assistiu sua imagem exposta ao vexame, Já o Logan Hall interpretado por Sam Rechener é exposto através do destaque. O primeiro se sentiu humilhado, o segundo constrangido. Sam Rechener interpreta muito bem o momento de confusão mental, as misturas de sentimentos que as cenas da praia o proporcionaram. Logan foi o herói da praia e teve todo o destaque do evento, mostrando todas as suas qualidades físicas, porém aquele que registrara todas as imagens era o mesmo garoto que ele perseguia física e psicologicamente. Não é apenas como as pessoas te enxergam através das lentes, mas como você se vê através dela. Às vezes é preciso uma câmera para a gente enxergar a verdade, sermos expectadores de nós mesmos, e aí não importa se você é vilão ou herói, se você não é um personagem de cinema, ela só te mostra a verdade nua e crua. É a arte socando a sua cara e seu ego simultaneamente, e digo arte porque só aquele que viria a se tornar um dos maiores cineastas de todos os tempos poderia dirigir uma cena tão genial, criativa e didática como essa. 

O filme termina com o pai apoiando o jovem Spielberg que após ser entrevistado por outra lenda dos cinemas, o cineasta ganhador de quatro Oscar como diretor, John Ford, interpretado por David Lynch, ingressa na universidade do estado da Califórnia para estudar cinema.

São nos detalhes que Os Fabelmans me ganham. Seja nos momentos de felicidades com suas irmãs retratados na infância, os conselhos do seu tio Boris que mais parecia uma espécie de Grilo Falante, naqueles em que a arte estava sendo apreciada no seu ambiente familiar, seja através da música, da dança ou do cinema. De como a mãe do Sammy não gostava de lavar louças, de como ele usava o humor mesmo que de forma sútil para enfrentar descriminações e situações embaraçosas e por último a entrevista peculiar, porém didática com a figura excêntrica de John Ford.

Em resumo, "Os Fabelmans" é um filme emocionante e sensível que destaca a importância do cinema em nossas vidas. Sammy sonhava em se tornar um cineasta e, apesar dos obstáculos que enfrentava, nunca desistiu de sua paixão. O filme nos ensina lições valiosas sobre seguir nossos sonhos, enfrentar a verdade de frente e valorizar a família e os amigos, que nos apoiam e nos ajudam a superar momentos difíceis.

Há também algumas curiosidades interessantes sobre o filme.  Uma delas é que o filme foi filmado principalmente em locações reais no Arizona, incluindo a casa onde Spielberg cresceu e a escola que ele frequentou.
E a outra, mas não menos interessante sobre o filme "Os Fabelmans" é que o diretor Steven Spielberg decidiu usar uma câmera Super 8 para filmar as cenas que foram supostamente feitas pelo personagem Sammy. A câmera Super 8 é um modelo de câmera que foi muito popular nas décadas de 60 e 70, e que muitos cineastas amadores usavam para fazer seus próprios filmes. A escolha de Spielberg em usar essa câmera na filmagem de "Os Fabelmans" trouxe uma autenticidade incrível para o filme, já que as imagens parecem ter sido feitas por um cineasta amador mesmo. Além disso, essa decisão do diretor ajudou a reforçar a importância do cinema na vida dos personagens e na própria vida de Spielberg, que começou sua carreira fazendo filmes caseiros com sua câmera Super 8.

Nota 7

quinta-feira, 2 de março de 2023

Pinoquio

O filme "Pinóquio" de Guillermo del Toro é uma obra de arte em todos os sentidos da palavra e podemos dizer que é uma adaptação sombria e mais adulta da história clássica de Pinóquio. O enredo segue a jornada de Pinóquio, uma marionete que ganha vida, enquanto ele navega pelo mundo e aprende importantes lições sobre honestidade, bondade e a importância da verdade. No entanto, Pinóquio também encontra perigos e tentações ao longo do caminho, como o mestre de circo cruel Stromboli e o dono do teatro da ilha dos prazeres, que o atraem com promessas de riquezas. O filme aborda temas mais sombrios, como corrupção, ganância e perda de inocência, enquanto explora a natureza da humanidade e a luta entre o bem e o mal.

A trama começa com uma cena escura e sombria de uma marionete em um teatro, sendo manipulada pelo mestre de marionetes, Geppetto. Em seguida, somos apresentados ao personagem principal, Pinóquio, que é uma marionete feita por Geppetto. Pinóquio é uma marionete peculiar, pois ele é capaz de se mover e falar como um menino de verdade. Geppetto fica encantado com a marionete e a trata como o seu próprio filho.

Pinóquio começa a explorar o mundo ao seu redor e se envolve em várias aventuras. Ele encontra outros personagens interessantes, como a Fada Azul, o Grilo Falante, o Gato e a Raposa. No entanto, Pinóquio também encontra perigos no caminho, como o cruel Stromboli, um mestre de circo que quer usar Pinóquio como atração principal em seu show. Além disso, Pinóquio é atraído pela promessa de riquezas pelo malandro dono do teatro da ilha dos prazeres.

Pinóquio começa a aprender lições valiosas sobre o mundo e sobre si mesmo. Ele descobre a importância da honestidade, bondade e da busca pela verdade. Geppetto, por sua vez, é capturado pelo maligno Côveo e é levado para uma ilha misteriosa. Enão Pinóquio decide ir numa jornada para encontrar o seu pai adotivo e trazê-lo de volta para casa.

Ao chegar à ilha onde Geppetto está preso, acaba descobrindo um segredo sombrio sobre si mesmo e a sua própria origem. Ele percebe que a sua verdadeira natureza é ser uma marionete, e não um menino de verdade. No entanto, Pinóquio decide continuar a sua busca para salvar Geppetto, mesmo que isso signifique sacrificar a sua própria vida.

No final, Pinóquio salva Geppetto e se torna um herói para aqueles que o conhecem. Ele aprende que ser verdadeiro consigo mesmo e lutar pelo que é certo são mais importantes do que qualquer outra coisa. O filme termina com Pinóquio e Geppetto voltando para casa, com o protagonista sabendo que agora tem uma família amorosa e um lugar seguro no mundo. 

Uma das principais lições do filme é a importância da honestidade. Pinóquio aprende que é melhor dizer a verdade, mesmo que isso signifique enfrentar consequências difíceis.



O filme mostra que a amizade é valiosa e podermos encontrar amigos em lugares inesperados. Pinóquio faz amizade com a Fada Azul e outros personagens ao longo da sua jornada. Outro aprendizado enfatiza a importância de se manter fiel aos seus princípios, mesmo quando há tentações para desviar do caminho certo. A trama destaca como a corrupção pode ser perigosa e levar a consequências graves. Personagens como Stromboli e o dono do teatro da ilha dos prazeres mostram as consequências da ganância e da corrupção. A perda da inocência e a luta entre o bem e o mal também são temas presentes na obra. Pinóquio descobre que o mundo pode ser um lugar perigoso e injusto, mas também aprende a importância de se manter esperançoso e continuar lutando pelo que é certo. E por último A obra de Guillermo del Toro nos mostra que a redenção é possível, mesmo para aqueles que cometeram erros. Pinóquio encontra um caminho de volta para casa e é capaz de se redimir, mostrando que há sempre uma chance de mudar e fazer a coisa certa.

9 Curiosidades sobre o Filme

1. Guillermo del Toro tentou fazer o filme por mais de uma década, mas só conseguiu a aprovação final após o sucesso do seu filme "A Forma da Água".

2.  O filme usa técnicas de animação stop-motion, que envolvem a criação de modelos em miniatura e a captura de cada movimento de forma individual. O processo é demorado, mas permite um alto nível de detalhe e precisão nos movimentos dos personagens.

3. A trilha sonora original do filme é composta pelo vencedor do Oscar, Alexandre Desplat.

4. A escolha do elenco de dublagem inclui alguns grandes nomes do cinema, como Ewan McGregor, Tilda Swinton, Christoph Waltz, Ron Perlman e David Bradley.

5. O filme tem um tom mais sombrio e adulto do que a história original de Pinóquio, com elementos de horror e fantasia sombria.

6. O design dos personagens é inspirado na arte da Renascença italiana e no estilo da marionete tradicional.

7. Pinóquio também aborda temas atuais, como a corrupção e a opressão, além de explorar questões filosóficas sobre a natureza da humanidade e da alma.

8. A obra levou cerca de dois anos para ser concluído, com mais de 150 profissionais envolvidos na produção. Foram criados mais de 100 sets diferentes para a animação stop-motion.

9. O filme teve a sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Veneza em 2021, recebendo críticas positivas e sendo elogiado pela originalidade e ousadia na abordagem da história clássica de Pinóquio.

Nota 7

O Lado Bom da Vida

  O Lado Bom da Vida (2012), dirigido por David O. Russell, é uma comédia dramática que segue a jornada de Pat Solitano (Bradley Cooper), um...