quinta-feira, 20 de julho de 2023

Estrelas Além do Tempo

 


"Estrelas Além do Tempo" é um filme de drama biográfico que se passa durante a corrida espacial dos Estados Unidos na década de 1960. Dirigido por Theodore Melfi e lançado em 2016, o filme narra a história real de três brilhantes cientistas afro-americanas da NASA: Katherine Johnson (interpretada por Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (interpretada por Octavia Spencer) e Mary Jackson (interpretada por Janelle Monáe). Elas enfrentam discriminação racial e de gênero enquanto desempenham um papel crucial no sucesso da missão Apollo 11, liderada por John Glenn, que levaria o homem à Lua. "Estrelas Além do Tempo" destaca a importância do trabalho dessas mulheres pioneiras e sua luta por igualdade e reconhecimento.

A partir daqui, se você não assistiu ao Filme, fica o alerta para Spoiler!

 Assistir "Estrelas Além do Tempo" é uma inspiradora e emocionante jornada pela história real de três mulheres extraordinárias que superaram barreiras raciais e de gênero para brilharem como verdadeiras estrelas na NASA, deixando uma marca indelével na corrida espacial e na luta por igualdade.

No primeiro ato somos apresentados a Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson - três mulheres negras incrivelmente talentosas que trabalham na NASA durante os anos 1960, em plena Guerra Fria e segregação racial nos EUA.




O filme começa mostrando Katherine, Dorothy e Mary trabalhando em funções subalternas, enfrentando preconceito e discriminação em meio a um ambiente dominado por homens brancos. Katherine é uma matemática excepcional e é selecionada para integrar a equipe que trabalha no Projeto Mercury, liderada pelo Al Harrison (interpretado por Kevin Costner).

No trabalho, Katherine enfrenta inúmeras dificuldades para ser aceita e respeitada por seus colegas. Ela enfrenta a falta de acesso aos banheiros e cafeterias exclusivos para brancos, e lida com a desconfiança dos demais em relação às suas habilidades. Al Harrison, embora inicialmente cético, logo reconhece o talento de Katherine e passa a confiar nela.

Dorothy, por sua vez, é uma supervisora de facto de um grupo de mulheres negras que trabalham como "computadores humanos" - calculando complexas equações matemáticas para a NASA. Ela almeja o cargo de supervisora oficial, mas enfrenta a resistência de Vivian Mitchell (interpretada por Kirsten Dunst), sua chefe branca.

Enquanto isso, Mary é engenheira aspirante, mas a legislação racista da Virgínia a impede de frequentar as aulas necessárias em uma universidade segregada. Determinada a alcançar seu objetivo, ela decide processar a cidade para ser aceita nas aulas noturnas de engenharia.

No primeiro ato, a narrativa apresenta as lutas e desafios enfrentados pelas três mulheres extraordinárias em uma sociedade injusta e desigual, estabelecendo as bases para a poderosa história de superação e determinação que se desenrolará ao longo do filme.

No segundo ato acompanhamos o avanço das trajetórias das três protagonistas: Katherine, Dorothy e Mary, em meio a importantes acontecimentos históricos e avanços científicos.




Katherine continua a enfrentar o preconceito e a discriminação no ambiente de trabalho, mas sua capacidade excepcional de cálculos e deduções chama a atenção de Al Harrison, que lhe confere mais responsabilidades na equipe do Projeto Mercury. Ela se torna peça-chave no desenvolvimento do programa espacial e ganha o respeito de seus colegas.

Enquanto isso, Dorothy, determinada a conseguir a promoção que merece, resolve aprender programação para operar o novo computador IBM que ameaça substituir sua equipe. Ela se mostra extremamente hábil e, com seu conhecimento, garante a continuidade de seu grupo, mesmo com a chegada da máquina.

Enquanto isso, Mary continua lutando para obter sua licença de engenharia. Com a ajuda de seu advogado, ela ganha o direito de frequentar as aulas noturnas em uma universidade segregada. Apesar dos desafios, ela persevera e se torna a primeira engenheira negra da NASA.

Em paralelo, o filme aborda o contexto histórico da corrida espacial durante a Guerra Fria, destacando os desafios e pressões que a NASA enfrenta para colocar o homem em órbita. O lançamento bem-sucedido da missão Mercury-7 é um marco importante, mas também há momentos de tensão e incerteza devido a dificuldades técnicas.

No segundo ato, as histórias das três mulheres se entrelaçam com o progresso da NASA e com os acontecimentos históricos da época, mostrando suas contribuições inestimáveis para o sucesso da agência espacial e para o avanço científico e tecnológico do país. A força, a inteligência e a determinação de Katherine, Dorothy e Mary são retratadas de forma inspiradora, enquanto o filme continua a destacar a luta contra o racismo e a discriminação de gênero.

No terceiro e último ato os eventos se intensificam, culminando com importantes conquistas pessoais e avanços científicos, que também refletem a mudança social e cultural nos Estados Unidos.




Katherine continua a desempenhar um papel crucial na equipe do Projeto Mercury. Enquanto o primeiro voo orbital tripulado se aproxima, ela enfrenta uma corrida contra o tempo para calcular com precisão as trajetórias e reentradas na atmosfera. Seu conhecimento e habilidades se tornam essenciais para o sucesso da missão e o retorno seguro do astronauta John Glenn à Terra.

Enquanto isso, Dorothy continua a demonstrar sua capacidade de liderança e competência no uso do computador IBM, contribuindo para a segurança e a eficiência das operações da NASA. Ela enfrenta os desafios impostos pela segregação racial e sexismo, mas permanece firme em seu propósito e inspira sua equipe a superar as adversidades.

Mary, agora uma engenheira qualificada, enfrenta outro obstáculo quando lhe é negada a promoção para a posição de supervisora de engenharia, pois as normas da NASA na época não permitiam mulheres negras em cargos de liderança. Ela decide processar a agência e finalmente consegue a promoção, abrindo caminho para outras mulheres em posições de destaque.

No clímax do filme, o voo orbital de John Glenn é um sucesso retumbante, com Katherine garantindo a precisão dos cálculos e a segurança da missão. A notícia do retorno bem-sucedido do astronauta é recebida com emoção e celebração na NASA, e Katherine finalmente ganha o reconhecimento e a aceitação de seus colegas.

O filme termina com um epílogo que mostra o destino das três mulheres após o Projeto Mercury. Katherine Johnson continuou sua carreira na NASA e recebeu inúmeras honrarias ao longo dos anos, incluindo a Medalha Presidencial da Liberdade em 2015. Dorothy Vaughan se tornou a primeira supervisora negra da NASA e também teve uma carreira de sucesso. Mary Jackson se tornou engenheira sênior e atuou como ativista na promoção da diversidade na ciência e engenharia.

Crítica

Uma obra poderosa que traz à tona uma parte importante e frequentemente esquecida da história da NASA e dos direitos civis nos Estados Unidos. O filme destaca as realizações notáveis de três mulheres afro-americanas que enfrentaram o racismo e o sexismo para contribuir significativamente para o programa espacial do país. Seus pontos fortes incluem uma narrativa cativante e atuações convincentes do elenco.

A força da película reside na representação autêntica e inspiradora das protagonistas, que são retratadas como figuras complexas e multifacetadas. Através da vida dessas mulheres, o filme aborda questões sociais e históricas relevantes, como a segregação racial, a luta por direitos iguais e a importância da diversidade na ciência e na engenharia.

Os pontos fracos podem ser percebidos em algumas simplificações narrativas e na abordagem ocasionalmente sentimental. Além disso, o filme poderia ter se aprofundado ainda mais nos aspectos históricos e nas lutas enfrentadas pelas personagens.

As intenções do diretor parecem ser as de educar e conscientizar o público sobre as contribuições cruciais dessas mulheres afro-americanas para a corrida espacial e para a sociedade em geral. Ao retratar sua jornada e o contexto histórico, o filme ressalta a importância da inclusão e da igualdade de oportunidades.

A obra destaca a necessidade de reconhecer e valorizar as contribuições de pessoas marginalizadas na ciência, tecnologia e engenharia, enquanto critica as barreiras sociais impostas pela discriminação racial e de gênero. Além disso, a história das "Estrelas Além do Tempo" serve como uma poderosa lembrança de que o conhecimento e a dedicação podem superar preconceitos e abrir caminhos para mudanças sociais significativas.

No geral, "Estrelas Além do Tempo" é uma obra relevante e comovente que resgata histórias importantes do passado e oferece uma mensagem de inspiração e esperança para o futuro. Ao contar a história dessas mulheres notáveis, o filme incentiva reflexões sobre igualdade, justiça e a importância de valorizar a diversidade nas esferas acadêmicas e profissionais.

Curiosidades

  1. "Estrelas Além do Tempo" é baseado em fatos reais e foi inspirado no livro "Hidden Figures" de Margot Lee Shetterly, que conta a história das mulheres afro-americanas que trabalharam na NASA durante a corrida espacial.
  2. O filme foi dirigido por Theodore Melfi e lançado em 2016. Ele recebeu várias indicações e prêmios, incluindo três indicações ao Oscar.
  3. As atrizes Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe interpretam as protagonistas Katherine Goble Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, respectivamente. Elas receberam elogios da crítica por suas atuações emocionantes e poderosas.
  4. "Estrelas Além do Tempo" destacou a contribuição crucial dessas mulheres para o sucesso das missões espaciais dos Estados Unidos, e também trouxe à tona a luta pela igualdade de direitos civis e a superação de barreiras raciais e de gênero.
  5. O filme foi elogiado por sua precisão histórica e por resgatar a história pouco conhecida dessas mulheres incríveis, que tiveram um papel fundamental na conquista do espaço pelos Estados Unidos.
  6. Durante as filmagens, as atrizes principais tiveram a oportunidade de conhecer as mulheres reais em que seus personagens foram baseados. Essa experiência permitiu uma maior conexão com as histórias reais e acrescentou autenticidade às suas interpretações.
  7. Em uma das cenas do filme, a personagem de Taraji P. Henson, Katherine, realiza um complexo cálculo matemático em uma lousa. Esse cálculo foi realmente feito pela matemática de renome mundial Katherine Goble Johnson, a quem o filme homenageia.
  8. A trilha sonora do filme, composta por Hans Zimmer, foi elogiada por sua emotividade e por complementar perfeitamente a narrativa inspiradora da história.
  9. O sucesso de "Estrelas Além do Tempo" contribuiu para uma maior conscientização sobre a importância da diversidade e inclusão no campo da ciência e tecnologia, e inspirou muitas pessoas a seguirem carreiras em STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
  10. A história dessas mulheres notáveis também foi contada em um documentário intitulado "The Real Hidden Figures", lançado em 2017, que destaca ainda mais suas realizações e legados duradouros.
Nota 9

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