"O Auto da Compadecida" é uma comédia brasileira lançada em 2000, dirigida por Guel Arraes e baseada na obra homônima do escritor Ariano Suassuna. A história se passa em uma cidadezinha do sertão nordestino e gira em torno de João Grilo e Chicó, dois amigos que sobrevivem através de pequenos golpes e trapaças. Quando se envolvem em uma confusão com o poderoso Padre João e o temido cangaceiro Severino, eles precisam usar de toda sua esperteza para escapar das enrascadas.O filme se destaca pela sua direção criativa e inventiva. Guel Arraes soube adaptar a obra de Suassuna para as telas de forma brilhante, trazendo elementos como música, cores vibrantes, cenários criativos e diálogos cômicos. O elenco também é um ponto forte da produção, com destaque para Matheus Nachtergaele como João Grilo e Selton Mello como Chicó, ambos entregando atuações marcantes e divertidas. A trilha sonora, composta por músicas regionais e populares, ajuda a criar a atmosfera do sertão nordestino. No geral, "O Auto da Compadecida" é um filme divertido e bem realizado, que se tornou um clássico do cinema brasileiro.
A partir daqui, se você não assistiu ao Filme, fica o alerta para Spoiler!
O primeiro ato do filme começa com a introdução dos personagens principais, João Grilo e Chicó, dois amigos pobres que vivem de pequenos golpes e artimanhas no sertão nordestino. A história se passa em uma pequena cidade e começa com uma briga entre João Grilo e o padeiro local, que acaba em uma confusão envolvendo o juiz e o padre da cidade.
Enquanto tentam escapar da punição, João Grilo e Chicó se envolvem em várias situações cômicas, como a tentativa de vender um cachorro morto como se estivesse vivo para o dono do bar local, e a farsa de Chicó se vestir de mulher para seduzir o soldado ameaçador da cidade.
No entanto, a história toma um rumo mais sério quando João Grilo e Chicó se envolvem com o Major Antônio Morais, um homem poderoso e violento que controla a cidade com mãos de ferro. A tensão aumenta quando o Major acusa João Grilo de ter roubado uma fortuna em dinheiro, e a dupla de amigos precisa encontrar uma maneira de provar sua inocência e escapar da cidade antes que seja tarde demais.
No segundo ato a história começa a se desenrolar com mais intensidade e humor. João Grilo e Chicó continuam sua jornada de malandragem e acabam se envolvendo em mais encrencas. Desta vez, eles se tornam protetores de um cachorro chamado Policarpo, que pertence ao Major Antônio Morais.
Enquanto isso, a cidade está em polvorosa com a chegada do Bispo, que está vindo para realizar uma missa solene e confirmar os fiéis. João Grilo e Chicó se aproveitam da oportunidade para tentar lucrar, vendendo ingressos falsos para a missa. Mas, como de costume, as coisas não saem como planejado e eles acabam sendo desmascarados.
O cangaceiro Severino de Aracaju, que tem uma rixa antiga com João Grilo, está à solta e planeja se vingar do malandro. Em uma cena hilária, os dois se encontram em um duelo de bravatas que acaba em uma corrida de cavalos. Ao final do segundo ato, a situação parece estar cada vez mais complicada para João Grilo e Chicó, que se veem em apuros com o Major Morais, o Bispo e Severino de Aracaju.
No terceiro e último ato João Grilo e Chicó finalmente enfrentam as consequências de suas ações. Após serem capturados por policiais corruptos, eles são levados ao julgamento do juiz corrupto, que está disposto a condená-los à forca sem provas suficientes.
Mas a Compadecida, que é uma figura religiosa popular do Nordeste brasileiro, aparece em forma de visão para João Grilo e Chicó, e os ajuda a escapar da prisão e a provar sua inocência. Com a ajuda de Nossa Senhora e do Diabo, eles fazem um acordo para fingir a morte de Chicó e se vingar dos policiais corruptos.
O filme termina com a festa de São João na cidade, onde todos os personagens se reconciliam e celebram a vida. João Grilo e Chicó, finalmente livres de seus problemas, se juntam aos outros em uma grande dança de forró. É um final feliz e cheio de esperança, que encerra a história com um tom leve e humorístico, mas com uma mensagem importante sobre justiça e compaixão.
Crítica
Uma das principais qualidades do filme é a forma como ele consegue mesclar humor e crítica social de maneira inteligente e bem-humorada. O sertão nordestino é retratado de forma bem realista, mas sem perder o tom de humor que permeia toda a história. Os diálogos são muito bem escritos e as atuações dos protagonistas são excelentes como já destacados anteriormente, principalmente a de Matheus Nachtergaele, que consegue transmitir com maestria a malandragem e astúcia de João Grilo.
Outro ponto forte do filme é a trilha sonora também já destacado, que conta com músicas regionais do Nordeste brasileiro e dá ainda mais autenticidade à história. Além disso, a direção de Guel Arraes é precisa e consegue explorar bem o cenário e os personagens.
No entanto, um dos pontos fracos do filme é a falta de desenvolvimento de alguns personagens, como o Padre João (Maurício Gonçalves) e a Compadecida (Fernanda Montenegro), que acabam ficando em segundo plano na trama. Além disso, em alguns momentos o filme pode parecer um pouco confuso, especialmente para quem não está familiarizado com a cultura nordestina.
De maneira geral, "O Auto da Compadecida" é um filme divertido e inteligente, que consegue trazer à tona discussões importantes sobre a realidade do sertão nordestino de forma bem-humorada. O filme é uma homenagem à cultura nordestina e sua mensagem sobre a importância da solidariedade e da amizade ainda é muito relevante nos dias de hoje.
Curiosidades
- O filme "O Auto da Compadecida" é baseado na peça de teatro homônima de Ariano Suassuna, escrita em 1955.
- A produção do filme foi uma parceria entre a Globo Filmes e a Lereby Productions, empresa do cineasta Guel Arraes.
- A ideia de adaptar a peça para o cinema surgiu após o sucesso da minissérie "O Auto da Compadecida", exibida pela TV Globo em 1999.
- A escolha do elenco foi bastante criteriosa. Os atores que interpretaram os personagens principais - Matheus Nachtergaele (João Grilo) e Selton Mello (Chicó) - foram selecionados entre dezenas de candidatos que participaram de testes.
- O filme conta com uma trilha sonora bastante diversa, que inclui desde músicas tradicionais do Nordeste até canções internacionais, como "As Time Goes By", tema do filme "Casablanca".
- Uma das cenas mais icônicas do filme é a do julgamento de João Grilo e Chicó, na qual os personagens são confrontados por Deus, Nossa Senhora e o Diabo. A cena foi filmada em um galpão abandonado, que foi reformado e transformado em um tribunal improvisado.
- O filme foi lançado em 2000 e se tornou um grande sucesso de bilheteria, alcançando mais de dois milhões de espectadores nos cinemas brasileiros.
- "O Auto da Compadecida" recebeu diversos prêmios, incluindo o Grande Prêmio Cinema Brasil de melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro adaptado.
Nota 8
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